quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O meu parto...há 1 mês,2 semanas e 5 dias!

Como prometido, ainda que já tenha passado algum tempo, aqui fica o relato do início da história do André...
Estávamos a 12 de Agosto quando fui à ultima consulta com o ginecologista. Ao fazer-me o toque perguntou:

"- Dói-lhe aqui?
- Dói.
- Alguma vez teve um acidente?
- Não, quero dizer, no meu ano de estágio fui atropelada e bati com o coccix no chão...
- Pois, é que sinto aqui umas calcificações.
- Sr. Dr. o que é que isso implica? Implica que poderá não fazer um parto normal, poderemos ter de partir para a cesariana. Mas... vamos tentar o parto normal. Vamos já marcar porque perante esta situação até nem é conveniente que o bebé engorde muito mais para não dificultar o parto..."
Vou-me vestir e já a pensar como era possível que algo a que a não ser quando sentia dores, já nem me lembrava, ia agora interferir no parto... Isto a uma quarta-feira e logo nessa consulta ficou marcado para domingo, dia 16. Azar dos azares, os meus pais, que organizam excurssões iam partir para Torremolinos, com 250 pessoas a seu cargo no sábado à noite... não ia ter os meus pais nem a minha irmã presentes num momento tão esperado, nem na semana seguinte...mas tendo em conta a situação não lhes podia pedir que não fossem, apesar de me apetecer muito. Digamos que, apesar de ter escondido, fiquei arrasada. Ainda que tivesse apoio, sentia-me sozinha. Queria a minha mãe por perto...mas nada a fazer. Liguei para a enfermeira-parteira e combinamos estar na Ordem do Carmo dia 16 pelas 8h30 para que déssemos início ao processo. Deu-me todas as indicações necessárias sobre o que comer na véspera e de certa forma foi-me sempre ajudando a estar calma alertando para que não tivéssemos muitas visitas pois iríamos estar cansados (grande verdade) e são momentos intímos. Quinta e sexta passaram num ápice. No sábado despedi-me dos meus pais e à noite, como uma forma de despedida à vida que tínhamos até então, com algum receio e ansiedade, mistura de sentimentos, eu e o meu marido tivemos umas horas de grande cumplicidade, muito intensas mesmo: finalmente na casa nova (tudo desorganizado mas novo, lol), uma vida a dois (por uns dias...) e a chegada do nosso rebento tão esperado. Acho que a noite passou mesmo a voar.Dia 16 - levantei-me, tomei um banho, malas prontas e lá vamos nós. Depois de uma gravidez que nunca pensei que conseguisse ir tão longe, mais precisamente 38 semanas e 6 dias, eis que nos vimos na maternidade. Como não podia deixar de ser, chegamos um bocadinho atrasados à Ordem mas finalmente conheci a enfermeira-parteira e às 9h tudo começou. A 1ª roupa do André foi logo separada bem como a camisa para a mamã. A enfermeira fez o toque e para espanto, ainda sem medicação nenhuma, eu já tinha 3 dedos de dilatação. O GO chegou e constatou o mesmo, ao que me disseram: se não tinha vindo hoje, amanhã não se safava de ir parar ao hospital. Eu, de facto, já tinha umas dores mas como já tinha dores ao longo da gravidez, ignorei... Ligaram-me ao cardiotocógrafo e começou a indução, o líquido a entrar nas veias fazia adivinhar contracções um pouco dolorosas. O meu marido ao olhar para o aparelho dizia: aí vem mais uma, respira como aprendeste no curso. E eu assim fui fazendo, sempre com apoio da enfermeira parteira e do marido que só se ausentou para ir almoçar. Nem sei o que me passava pela cabeça, afinal o momento estava perto. Quando as contracções começaram mesmo a ser intensas e eu já um bocadinho, só um bocadinho atrapalhada, chamaram a anestesista. Chamem-lhe anestesista ou o que quiserem, eu chamo-lhe Fada ;) Assim que chegou começou o seu trabalho e que trabalho! Não é propriamente fácil estar quietinha com as dores, mas tinha de ser. O que me doía mais nem eram as contracções mas sim o coccix. Por incrível que pareça só dizia disparates. Típico meu, quando estou em situações em que fico atrapalhada dá-me para dizer piadas, ou seja, para tentar pensar e falar noutras coisas. De vez em quando ia-me sentindo tonta, a tensão baixa sempre foi o meu forte, mas a Fada e a Enfermeira lá estavam para me ajudar. Certo é que à custa da tensão arterial acabei por ficar inchadíssima (quando o André nasceu já mal conseguia abrir os olhos de tão inchada que estava). As horas foram-se passando, quando fomos para a sala de partos. A caminho, deitada na maca, vi o meu cunhado, ainda lhe acenei e disse tchau mas não me ligou nenhuma lol, não deve ser normal alguém cheio de dores andar a dizer tchau ;)Aí foi tudo muito rápido, a Fada foi muito amiga e aliviou-me as dores no cóccix. As ordens eram que avisasse quando sentisse contracção e fizesse força. Assim tentei fazer da 1ª vez, mas o meu esforço foi em vão: a Fada disse-me "não faça força com a garganta, faça como se estivesse a fazer um cocó muito groço". Com o marido ali ao lado, a dar-me força, à 4ª contracção o GO diz-me "aqui está o seu filho". Lembro-me que só pensei "já?!como é possível?!", mas não disse nada. O André nascera às 14h20. Ouvi perguntarem se o meu marido queria cortar o cordão e ele não perdeu uma oportunidade única. Eu não conseguia falar, sentia-me cansada e as lágrimas correram-me pelo rosto quando tive o meu filho nos braços. As fotos que a Enfermeira parteira nos tirou serão a prova daquele momento inesquecível que vivemos os 3. O meu marido diz que o nosso bebé cheirava a ovo, eu sentia-me a levitar, como se não estivesse bem ali e só chorava em silêncio. Tinha pedido ao GO que fizesse episiotomia se necessário pois achava preferível ao que ele não hesitou. Lembro-me de também lhe pedir um bordado giro;). Nisto, já na fase do bordado todos falavam lá dentro o pediatra, a enfermeira parteira, o GO, a anestesista e o meu marido, mas eu só ouvia o meu bebé a chorar, a passar nos testes todos e a sofrer o primeiro choque de contactar com o nosso mundo.

Correu tudo muito bem e só tenho a agradecer à equipa médica o trabalho louvável que fizeram, o apoio que senti foi enorme e acho que isso ajuda muito para que um parto seja bem sucedido. A confiança é meio caminho andado.

Ao meu marido.. não digo nada... ele sabe e vive-o todos os dias comigo e com o André!

6 comentários:

  1. lindo e unico sem duvida...
    a magia que nunca se esquece!
    jinhos

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  2. É sem dúvida a melhor experiencia da vida de uma mulher.... mais uma vez, muitos Parabéns pelo teu lindo bebé (",)

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  3. Este é um exemplo perfeito do chamado "milagre da vida".

    Bom testemunho para as futuras mamas que têm medo de o ser.

    Parabéns uma vez mais, ao papa babado, à mama coragem e ao pequeno grande andré

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  4. bonito relato o teu. é sempre bom ler estes testemunhos. estou de 20 semanas e sempre tive receio do parto.

    http://estrelasnoceu.blogs.sapo.pt/

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  5. Simplesmente lindo o que contas....
    muito corajosa que és...

    felicidades para os três

    Elisabete Barnabé

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